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segunda-feira, maio 10, 2010
AO LADO DE UM POÇO EM SAMARIA
Havia muitos poços em Samaria nos tempos de Jesus. Mas, nesse dia, certo poço seria usado de modo especial. Sem os fortes preconceitos raciais que perturbavam Sua época, Jesus não hesitou em passar por Samaria quando viajava para a Galiléia. Um pouco ao sul de Sicar, a estrada se divide. Ali havia um poço, na terra que anteriormente pertenceu a Jacó e foi dada a José. Quando o grupo que viajava com Jesus chegou nesse lugar, todos estavam cansados da viagem. Ali Jesus fica e envia os discípulos a Sicar, para comprar alimento. Havia no Senhor um cansaço especial que deveríamos conhecer. É claro que, sendo completamente humano, havia a exaustão física natural. A pressão do tempo, das pessoas e as exigências do ensino cansariam qualquer pessoa. Mas para ele havia a presença fatigante do pecado, sempre o pecado! Para onde quer que olhasse o Filho de Deus, havia um pecado desafiando a sua divindade. E assim, uma mulher samaritana chega ao poço para tirar água. O pecado de sua vida Jesus conhece. Qualquer cansaço físico que ele sentisse teria que ser esquecido. Não há tempo para pensar em si. O poder que reside dentro dEle para perdoar deve ser compartilhado com ela. "Dá-me de beber", Ele diz (João 4:7). A mulher fica espantada. "Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher" (Jo 4:9). Ele responde: "Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva" (Jo 4:10). Água da vida! Que é isso? Ela fica curiosa. "Onde, pois, tens a água viva?" (Jo 4:11). Para Jesus, é o "dom de Deus". Para ela era "aquela" água. Jesus está pensando espiritualmente sobre o pecado dela e a necessidade do perdão. Ela está pensando fisicamente, querendo a água que satisfará para sempre a sua sede (Jo 4:15). Mas Ele despertou uma curiosidade nela a ponto de fazer perguntas. É exatamente o que todo bom professor procura fazer. E os que realmente buscam a verdade corresponderão. "És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai" (Jo 4:12). A resposta de Jesus é "sim", mas não o disse diretamente. Responde de modo que a faz pensar. "Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água... Será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (Jo 4:14). Aproveitando a curiosidade que despertou nela, Ele se volta noutra direção. "Vai, chama teu marido" (Jo 4:16). Vamos aprender algo aqui. Ensinar bem não é só falar. Para ensinar bem é necessário que o aluno descubra "a verdade" por si só. Jesus poderia ter evitado toda essa "confusão" sobre a água da vida se simplesmente tivesse falado claramente. Mas não fez isso. Os que estão aprendendo têm uma responsabilidade. Jesus está trabalhando. Está preparando o terreno, deixando-o pronto para o plantio. Essa mulher precisa ver a necessidade dela e ver "quem" Ele é (Jo 4:10). É exatamente o que todos nós devemos perceber. Não basta levar as pessoas ao batistério. Elas precisam ver o pecado "delas" e a necessidade que "elas" têm de ser perdoadas, e que Jesus é o Salvador que pode e que vai satisfazer essa necessidade. Quanto ao marido, a mulher declara não ter nenhum. Jesus agrada-se da resposta verdadeira e diz: "Cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido" (Jo 4:18). A percepção dela é rápida. "Vejo que tu és profeta" (Jo 4:19). Perceba que ela se refere não "o profeta", mas "profeta". Ainda não chegou lá, mas está aprendendo. Ela faz uma declaração sobre a adoração. Manifesta a necessidade que ela vê em sua própria vida de adorar e adorar corretamente. O começo da conversão consiste em reconhecer que necessitamos de Deus. O bom ensino levou-a a expressar isso. A resposta de Jesus a fez dizer: "Eu sei... Que há de vir o Messias... Quando Ele vier..." (Jo 4:25). Mulher, ele está bem diante de você! Quantas vezes deixamos de ver o óbvio. Mas ela o disse, e agora é a vez de Jesus: "Eu Sou, eu que falo contigo" (Jo 4:26). Nesse momento retornam os discípulos, e ela, esquecendo o balde, volta entusiasmada para Sicar, anunciando a todos: "Vinde comigo e vede... Será este, porventura, o Cristo?!" (Jo 4:29). Ele não é mais apenas "profeta"! O Senhor não está mais preocupado com a comida. A oportunidade de ensinar supera qualquer cansaço, satisfaz mais que comer, não é nenhum fardo (Jo 4:34). Ele está radiante! "Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Antes, erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa" (Jo 4:35). Ele diz aos discípulos que retornavam que não é hora de se preocuparem em encher o estômago. (Prioridades). E lhes diz mais alguma coisa: "Não importa quem semeia e quem colhe. A colheita do Evangelho é um esforço conjunto. Apenas se alegre de fazer parte dele" (Jo 4:36-38, tradução livre do autor do artigo). Assim vieram os samaritanos. E ouviram. E creram, "porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4:40-42). Muitas coisas aconteceram no poço aquele dia, coisas com que Jacó e José só poderiam "sonhar".
quinta-feira, abril 08, 2010
O QUE É O LIMBO?
A Igreja Católica descobriu quatro lugares no além: céu, inferno, purgatório e limbo. Restringiremos este comentário ao limbo, objeto do questionamento. A palavra é oriunda do latim, limbus, cujo significado é “fronteira”. Este lugar foi arquitetado por Roma, a fim de solucionar um problema teológico em que a Bíblia não se expressa abertamente: o destino eterno das crianças que morrem sem adquirir consciência de seus pecados. Segundo o catolicismo, o limbo seria a “fronteira do inferno”, isto é, um lugar preparado para aqueles que não fazem jus ao céu, mas que também não merecem o inferno. A grande maioria das pessoas que possui alguma noção conceitual deste lugar limita-se a relacioná-lo às crianças. O limbo seria, portanto, o destino das pobres crianças que morrem sem batismo e que, por isso, são classificadas pela igreja romana como pagãs. Entretanto, o entendimento católico deste lugar envolve algo além disso, pois, conforme tal interpretação, há pelo menos dois tipos de limbo:
LIMBO DOS PAIS: também designado limbus patrum, o que seria equivalente ao “Seio de Abraão” (Lc 16.22). Trata-se de um local no mundo dos mortos (hades) onde habitariam as almas dos justos do Antigo Testamento. Com a morte e ressurreição de Cristo, este local teria sido abolido, devido ao traslado das almas dali para o céu. De certa forma, esta idéia usufrui de algum amparo bíblico e encontra paralelo na interpretação evangélica (guardando as devidas proporções).
LIMBO DOS INFANTES: também designado limbus infantum. Além das crianças, esse lugar receberia a alma das pessoas mentalmente incompetentes para que possam decidir pela aceitação ou rejeição a Cristo. A idéia reclamada para justificar este local é a de que “almas excepcionais mereceriam lugares excepcionais como destino”.
Jesus, por sua vez, menciona apenas dois caminhos, duas portas, dois fins (Mt 7.13,14; 25.34-46). Não há referências bíblicas além desses dois lugares depois da vida: céu e inferno. Nas línguas originais bíblicas, céu e inferno são chamados da seguinte maneira: Seol, Hades, Geena (Lc 16.19-31; 12.4-5). Devemos, no entanto, nos contentar com isso. Existem algumas correntes teológicas que se esforçam por explicar a fortuna das crianças que falecem antes da idade da razão, porém, esse assunto envolve muitas especulações e já não é alvo do questionamento aqui proposto. Para saber mais sobre o assunto, o leitor deve consultar a edição de nº 39 de Defesa da Fé, que traz a matéria intitulada “Inferno: é possível crer nesta doutrina em pleno século 21”.
LIMBO DOS PAIS: também designado limbus patrum, o que seria equivalente ao “Seio de Abraão” (Lc 16.22). Trata-se de um local no mundo dos mortos (hades) onde habitariam as almas dos justos do Antigo Testamento. Com a morte e ressurreição de Cristo, este local teria sido abolido, devido ao traslado das almas dali para o céu. De certa forma, esta idéia usufrui de algum amparo bíblico e encontra paralelo na interpretação evangélica (guardando as devidas proporções).
LIMBO DOS INFANTES: também designado limbus infantum. Além das crianças, esse lugar receberia a alma das pessoas mentalmente incompetentes para que possam decidir pela aceitação ou rejeição a Cristo. A idéia reclamada para justificar este local é a de que “almas excepcionais mereceriam lugares excepcionais como destino”.
Jesus, por sua vez, menciona apenas dois caminhos, duas portas, dois fins (Mt 7.13,14; 25.34-46). Não há referências bíblicas além desses dois lugares depois da vida: céu e inferno. Nas línguas originais bíblicas, céu e inferno são chamados da seguinte maneira: Seol, Hades, Geena (Lc 16.19-31; 12.4-5). Devemos, no entanto, nos contentar com isso. Existem algumas correntes teológicas que se esforçam por explicar a fortuna das crianças que falecem antes da idade da razão, porém, esse assunto envolve muitas especulações e já não é alvo do questionamento aqui proposto. Para saber mais sobre o assunto, o leitor deve consultar a edição de nº 39 de Defesa da Fé, que traz a matéria intitulada “Inferno: é possível crer nesta doutrina em pleno século 21”.
A TEOLOGIA DA LÂMPADA
Andei pensando seriamente a respeito das diversas formas de ensino que se espalham entre as igrejas e as razões do crescimento evangélico entre alguns grupos. Cheguei a uma conclusão, talvez, assustadora para alguns. Me parece que certas pessoas assimilam Deus de forma muito mesquinha, miúda, egoísta. É mais ou menos como a famosa história da lâmpada de Aladim, que bastava uma esfregada, e... pronto, aparecia o gênio disposto a fazer todo e qualquer desejo do seu "amo" que, por tê-lo achado, tinha agora todo o direito de pedir o que quisesse; o gênio estaria pronto a satisfazê-lo, sem questionar - não interessava se o pedido era lógico ou não, santo ou profano... não importava, bastava exigir e já estava feito. O Amo pedia, o Gênio obedecia. É incrível como o Evangelho anda "caindo de preço". Oferecem um Evangelho que mais parece mercadoria de terceira, de fim de feira. Ensinam por aí um evangelho onde Deus é apresentado como aquele ser "todo poderoso" e capaz de fazer tudo quanto desejarmos sem importar muito a maneira como estou vivendo. Em outras palavras, a ênfase da mensagem é mais ou menos esta: "Tudo que você precisa fazer é passar para o nosso lado!", ou ainda "Vinde como estais, e permaneçais como estais, Deus é bom à bessa!". Deus, para esses, é "o nosso gênio da lâmpada" e nós agora somos os seus "Amos", basta pedir que Ele está pronto a responder com urgência. É como se a lâmpada mágica fosse "aquela" igreja, é ali, e somente ali, que encontramos o "Gênio"! "Aqui você não é obrigado a certos compromissos. Leitura de Bíblia, jejum, oração - nada disso, Jesus Cristo mudou meu viver para melhor. Pobreza, doença, dificuldade... Tô noutra agora! Jesus Cristo é um Gênio sem igual!". Até parece que já não são mais três pessoas que formam a Trindade - certas pessoas se vêem como a "QUARTA"... Um outro detalhe que pode ser notado na história da lâmpada é que todas as pessoas que se apoderavam da "lâmpada mágica" só pensavam nelas mesmas, em obter cada vez mais bens materiais, algo que satisfizesse o seu ego. As respostas do "Gênio da lâmpada" eram limitadas ao mundo material. Muito semelhante aos ensinos que ouço por aí, onde o evangelho é pregado afim de tornar as pessoas capazes de viverem felizes e confortáveis nesta vida. Fico pensando na agonia destas pessoas quando enfrentam crises, pois não foram ensinadas que ainda somos meros humanos sujeitos a aflições, enfermidades e crises. Quando se deparam com isso, não possuem raízes, ou seja, não edificaram a casa sobre a rocha - por isso, infelizmente, será grande a sua ruína. Será que essa história está bem contada? Será que é este o Evangelho que Jesus deixou? Não, de forma nenhuma! A Palavra de Deus é que é a lâmpada para os nossos caminhos, conforme se expressa o salmista no Salmo 119:115, e esta, transforma-nos. Só o conhecimento do autêntico Evangelho, caracterizado pelo sacrifício de Jesus, é capaz de mudar-nos de míseros pecadores para pessoas lavadas, purificadas e reconhecedoras de que agora, somos mais que vencedores, testemunhas de Cristo, as verdadeiras lâmpadas para o mundo (Fil. 2:15; Mat. 5:14-16), capazes de iluminar as trevas através da luz que refletimos e que não é nossa: recebemos de Cristo e a transmitimos, da mesma forma como a lua, que não possui luz própria, mas transmite a luz que recebe do sol. Devemos ser conforme expressa Paulo na Epistola aos Filipenses, "Astros no mundo", refletindo a luz que recebemos do "Sol da Justiça!". Ao contrário daqueles que achavam a "lâmpada mágica", devemos pensar nos outros, esforçando-nos ao máximo para alcançá-los e levar-lhes ao conhecimento Daquele que é capaz de tirar das mais densas trevas qualquer ser humano e transformá-lo em lâmpada, em luz para o mundo. Não queridos, não podemos comparar o Grandioso Deus criador de tudo a um mito, um simples gênio que nem sequer existiu; além do mais, para compreendermos a vida e conhecermos melhor o Grande autor da eterna salvação, é necessário aprendermos a sublime lição da submissão a Ele. Ele sim é capaz de dar-nos tudo o que precisamos, conforme sua soberana vontade. Precisamos estar atentos a tudo que ouvimos e não nos deixarmos iludir por toda qualidade de ensino, afim de não confundirmos a Teologia de "ser" lâmpada com "a teologia da Lâmpada"!
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